domingo, 18 de julho de 2010

Dois irmãos.

Descendo o morro
com a boca aberta
Alma de poeta
e olhar de irmão
Nem sempre acerta
mas tenta e insiste
e num leve palpite
da uma boa e nova visão
Leva o samba com calma
bem no meio da palma
bem na levada das mãos
Mas no outro lado da rua
caminha bem torto
de jeito maroto
e olhar de longe
paciência de monge
e sabedoria de rei
Ele sabe quem é
mas também sabe que eu sei
De palavras agressivas
secando a saliva
sempre que se faz apertar
E no meio de toda essa fumaça
a cidade grande disfarça
os artistas da praça
os que realmente têm o que falar...


Daniel

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Expresso

O expresso do talvez
passa mais uma vez
pelo seu portão
Aquele que não da certeza,
que esconde a beleza,
que fica entre o sim e o não
Mas dessa vez passa veloz
Sem tempo de ouvir sua voz
Sem tempo pra sermão
Com a consciência tranquila,
mais um gole de tequila,
segue o expresso
Passando pelas ruas e vielas,
fazendo barulho pelas janelas
Sem porque, sem nexo
Deixa dúvidas nas mentes
e pra quem sente, no coração
O expresso do talvez
é o mesmo que o da saudade
ou talvez não seja não.



Daniel

domingo, 30 de maio de 2010

Cada traço

Se você coloca o seu melhor vestido
pra passear comigo
achando que eu não vou notar
Pode mudar,
de vestido ou de pensamento
Reparo em você a todo tempo
no corte de cabelo,
nos seus olhos, no seu comportamento
A sensação de saber que você esta a caminho,
enquanto espero sozinho,
aguça a imaginação
Tento adivinhar a cor da sua roupa,
da sua alma e os segredos do seu coração
Há quem diga que isso é loucura
mas é verdade pura
e eu sempre volto a falar
louco mesmo é quem não te ve passar.




Daniel

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Aos que ensinam.

Vi esse texto no blog de um camarada (http://observasocialista.blogspot.com/) vale a pena dar uma chegada lá pra arejar a cabeça com idéias revolucionárias.
Mas esse texto, até pra quem não tem essa vontade de revolução, é no mínimo digno de ler. No mínimo. Algumas verdades têm que ser ditas e algumas coisas esclarecidas.
Então segue o texto:


Terminada a última guerra mundial, foi encontrada num campo de concentração nazista, a seguinte mensagem dirigida aos professores: "Prezado Professor. Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação. Meu pedido é: ajude seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e aritmética só são importantes para fazer nossas crianças mais humanas.".

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Bordada de Flor

Haja o que houver, amor
Se eu decidir partir
ou se alguma hora você que for
Saiba que meus olhos verdes
pairam sobre o moreno da sua cor
com a maior das sedes
de desejos confusos feito amor
Nos ombros da sua flor
deixo milhares de beijos
e nenhuma forma de dor
vai nos tirar do nosso eixo
Não tente me entender
que eu não tento entender você
A gente sente um ao outro
isto basta pra ser
Quando te vi rodando
no chão daquele lugar qualquer
fiquei me perguntando horas
quem seria aquela mulher
Hoje que te vejo rodando
entre meus braços abertos
vejo que mesmo errados
podemos estar certos.



Daniel

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sina

O nascer do sol é comum
A manhã é bicho em extinção
O caminho é qualquer um
Mas isso não é sinal de indecisão
é destino, é sina
Nos olhos de qualquer mulher
ou na saia de algumas meninas
É isso que é, não tem jeito
Errado em quase tudo
mas mesmo assim perfeito
É como foi feito, é assim
Metade de você, parte de nós
e dentro de mim
Vaga madrugada a dentro
sem propósito
mas é lógico, aparentemente
Sempre tem algo na mente
Nunca pisa a esmo
E cada manhã de domingo
promete que não vai ser o mesmo
Piada. Como diz Maria:
"ê ê ele não é de nada."



Daniel


"Em pouco tempo não serás mais o que és... Ouça-me bem, amor. Preste atenção: o mundo é um moinho..."
Cartola - O Mundo é um Moinho

Sempre O Tempo.

Perdi as horas, desculpa
Mas elas passam tão rápido por mim
que eu as vezes sinto que nem tenho culpa
Não é fácil ser assim, perdido no tempo,
parece que a qualquer momento
o mundo vai parar, e eu, vou continuar em movimento
Não fui eu que inventei as horas
e vem você agora dizer que eu me atrasei
São dez pras seis, eu sei
Mas vai entender, cada um tem seu ponteiro
Uns demoram o dia inteiro e outros só uns minutos
Outros escutam todos os sons enquanto uns são surdos
Entende? Nós somos eternas diferenças
Desde a cor do cabelo as mais complexas crenças
Mas o tempo é cruel, ele limita a vida
Qualquer dia saberemos até o dia da partida
Saber quando vai morrer parece interessante
Cada segundo fica sendo mais valioso, mais importante
É o tempo sempre, correndo contra nós
Contamos a hora de dormir, de andar em conjunto, de estar sós
Eu não quero o tempo, não quero horas, nem dias e nem anos
Nós não somos relógios, não somos máquinas,
Somos só seres humanos.



Daniel